Tecnologia de ponta e radares de última geração investigam formação rochosa com 157 metros que intriga cientistas e historiadores há décadas.
Uma das histórias mais antigas e fascinantes da humanidade voltou a movimentar o mundo científico e a imaginação popular. Uma força-tarefa arqueológica e geológica na Turquia concluiu recentemente uma intensa temporada de campo para investigar a Formação Durupınar, uma estrutura rochosa de proporções gigantescas localizada no distrito de Doğubayazıt, na província de Ağrı.
O que atrai os olhares de pesquisadores do mundo todo é um detalhe impressionante: a formação possui exatos 157 metros de comprimento e um formato simétrico que lembra o casco de uma embarcação encalhada, dimensões que curiosamente se aproximam das proporções atribuídas à lendária Arca de Noé nos relatos bíblicos do Gênesis.
Tecnologia de Ponta no Subsolo
O projeto de escavação e mapeamento, autorizado pelas autoridades turcas, é liderado pelo Prof. Dr. Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet, em parceria com a organização internacional Noah’s Ark Scans.
Para desvendar o que realmente jaz sob a terra, a equipe de cerca de 20 pesquisadores de cinco países utilizou um arsenal tecnológico avançado entre junho e setembro. Foram empregados radares de penetração no solo (GPR), tomografia de resistividade elétrica (ERT), varreduras por LiDAR e perfurações profundas.
Imagens de radar divulgadas pelo grupo indicam a presença de padrões lineares e ângulos geométricos enterrados a profundidades que variam entre 7 e 9 metros. Além disso, análises químicas preliminares de amostras de solo coletadas na área apontaram taxas de matéria orgânica significativamente superiores às encontradas nos arredores. No entanto, os cientistas ponderam que, embora o dado instigue a curiosidade, ele ainda não comprova de forma isolada a presença de uma embarcação ancestral.

Da Descoberta Aérea ao Debate Científico
A formação rochosa não é exatamente nova nos radares da arqueologia mística. Ela foi identificada inicialmente em 1959 pelo capitão da força aérea turca İlhan Durupınar, através de fotografias aéreas. Desde então, o local virou ponto de peregrinação e debate acalorado entre entusiastas religiosos e céticos.
Enquanto grupos de pesquisa buscam vestígios materiais de uma arca, geólogos tradicionais apontam explicações alternativas. Vários estudos acadêmicos sugerem que a Formação Durupınar pode ser apenas um fenômeno natural moldado por processos geológicos locais e fluxos de terra (Telçeker earthflow).
Outro ponto de discussão envolve as chamadas “pedras de Arzap” — grandes rochas perfuradas encontradas na região que alguns exploradores antigos diziam ser pesos usados para estabilizar a arca na água (drogue stones). Todavia, análises mineralógicas indicam que as rochas são nativas da própria região, esfriando a teoria de que teriam sido trazidas de longe para servir à navegação.
Próximos Passos
Com o fim da etapa de campo, os pesquisadores agora concentram forças nos laboratórios. Cerca de mil amostras de solo e materiais coletados em aproximadamente 150 pontos diferentes estão passando por triagens rigorosas.
A Universidade Sivas Cumhuriyet prevê a conclusão das análises e a divulgação dos resultados oficiais ao longo de 2027. Até lá, o mistério continua em aberto: estamos diante da descoberta arqueológica do século ou de mais uma impressionante peça de arte geológica esculpida pela própria natureza? O veredito final cabará à ciência.
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